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Jean Wyllys

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Um coletivo de parasitas políticos

UOL Noticias

21/10/2019 18h35

Joice e Eduardo na Câmara dos Deputados – Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

A troca de insultos machistas, misóginos e homofóbicos (por meio de emojis ou não) por parte dos membros do PSL –especialmente por parte de Joice Hasselmann e dos filhos de Bolsonaro, Carlos e Eduardo– não deveria espantar nenhuma pessoa séria, democrática e defensora da razão e da boa política. Não há qualquer novidade no comportamento desses fascistas.

O PSL é o resultado institucional da aglutinação não apenas de hipócritas defensores da Lava Jato e de antipetistas contrários à mobilidade social dos pobres e à inclusão dos negros nas universidades por meio de políticas afirmativas: esse partido é, antes, a aglutinação de fascistas e fundamentalistas cristãos neopentecostais que se opõem aos movimentos feministas e LGBTs e desprezam a ciência e o debate democrático.

Quase todos os políticos do PSL construíram suas popularidades por meio do uso e disseminação de fake news –notícias mentirosas e teorias conspiratórias– nas redes sociais. Ergueram-se insultando e assediando moralmente pessoas já famosas e destruindo suas reputações com mentiras. É um coletivo de parasitas políticos altamente danosos à saúde da democracia.

Logo, que espanto pode haver, por parte das pessoas sensatas e decentes que seguem defendendo a democracia brasileira, em Carlos e Eduardo Bolsonaro xingarem Joice Hasselmann de porca, galinha e ladra por meio de emojis? E que outra reação poderia ter Hasselmann a não ser dizer –também por meio de emojis– que Carlos e um deputado estadual do PSL são viados e ladrões?

Ora, esse sempre foi o nível dos protagonistas da extrema-direita no Brasil desde que começaram a emergir na política após as manifestações de junho de 2013, entrando em curva ascendente durante o golpe contra o governo Dilma em 2016. Homofobia, machismo, racismo, anti-intelectualismo e corrupção sempre foram suas armas.

O uso dos emojis não é mero acaso nem simples recurso aos atalhos de comunicação oferecidos pelas novas tecnologias da informação. Trata-se, antes, da incapacidade de argumentação, da estreiteza de repertório linguístico e cultural e das subjetividades doentes que têm transformado a política em terreno do ódio.

Joice Hasselmann, Bolsonaro e seus filhos e todo resto do PSL e da extrema-direita no Brasil são aquelas três abominações de que fala a filósofa Marilena Chauí: 1) abominação política porque fascista; 2) abominação ética porque violenta; e 3) abominação cognitiva porque ignorante (eu acrescentaria uma quarta: abominação estética porque cafona e inimiga das artes).

Notem que, na troca de emojis insultuosos entre os membros do PSL, o rato é figura comum. Eles se acusam entre si de ladrões. E as denúncias sobre as candidaturas laranjas do partido não deixam dúvidas de que eles estão certos em se ofenderem dessa forma. O curioso é esses corruptos conseguirem enganar muita gente com seu discurso antipetista.

Na troca de ofensas misóginas e homofóbicas entre o membros do PSL no Twitter, reapareceu o perfil apócrifo Pavão Misterioso, o mesmo que, antes, espalhou notícia mentirosa sobre mim, Glenn Greenwald e David Miranda, e que, mesmo sendo apócrifo, serviu de "fonte de informação" ao site O Antagonista –esgoto da imprensa comercial– e à novelista Gloria Perez. Hasselmann acusa Carlos Bolsonaro de estar por trás deste perfil criminoso como se já soubesse dessa identidade há muito tempo.

O que realmente espanta é a impunidade com que esse perfil opera e a canalhice de quem o usou como "fonte de informação", espalhando suas mentiras!

Parece-me que o Pavão Misterioso e o PSL estarão livres para seguirem perpetrando crimes e rebaixando a política brasileira enquanto Sergio Moro estiver sequestrado pelo bolsonarismo, e enquanto as facções neoliberais das elites (os plutocratas) dependerem de Moro para sustentar a narrativa "anticorrupção" mentirosa que esconde o golpe que deram em 2016 e para mascarar a dificuldade, por parte dessas mesmas facções, de conviverem com a democracia quando esta ameaça seus privilégios e interesses.

Essas facções das elites brasileiras não sabem perder. E, por isso, elas nos colocaram nesse abismo. Até encontrarem seu novo porta-voz –alguém que lhes permitam fingir que vencem uma eleição com honestidade, que lhes permitam se fingirem democratas– teremos esse "ridículo político" em cena, para usar a expressão da filósofa Márcia Tiburi, essa baixaria, com a imprensa comercial e as instituições passando pano sobre ela e garantindo a impunidade de quem a protagoniza.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Jean Wyllys é escritor, jornalista, mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia, criador, roteirista e apresentador do Cinema em Outras Cores e ativista de direitos humanos. LGBT com orgulho de si, exerceu dois mandatos como deputado federal e é cidadão do mundo.

Sobre o blog

Um blog que trata das diferentes expressões das políticas, identidades, afetos e artes que nascem das ou impactam as relações humanas. E também os espaços e ambientes em que estas se dão.